terça-feira, 25 de novembro de 2008

Capitulo Um - Rain and memories


Batucou os dedos, levemente, sobre a mesa. Ela queria escrever algo para a amiga, mas toda vez que começava, as lembranças que a levaram até ali - as únicas que ela tinha - vinham-lhe a mente e ela se esquecia do contexto da frase.
Largou a caneta e abaixou a cabeça, deixou que, aos poucos, as lembranças viessem.

Ela caminhava sem rumo e sem saber da onde havia partido. Não se lembrava de nada.
'Talvez eu tenha batido a cabeça' Disse, baixinho. Sabia da sua idade, seu nome e nada mais.
Ela se chamava , tinha treze anos e não fazia idéia de que rua era aquela, que cidade era aquela e aquele país lhe parecia estranho. E estava frio, muito frio.
Cansou-se de andar, sentou na calçada e se encolheu. Estava começando a nevar e ela não fazia idéia de como sobreviveria naquele frio apenas com uma blusa de lã que nada esquentava e uma calça que ia até um pouco abaixo que o joelho.
Se encolheu, tinha vergonha de pedir ajuda, mas antes que ela desistisse da timidez e da vergonha, um garoto de bicicleta parou à sua frente e se agachou. Por um instante, ela não conseguiu desviar os olhos do azul intenso dos olhos dele.
'Olá' Ele disse 'Você precisa de ajuda?'
Ela concordou com a cabeça.
'Eu me perdi'
'Onde você mora?' Ele sorriu.
'Eu não sei, eu não me lembro.'
Ele franziu as sobrancelhas, pediu licença e passou a mão pelos cabelos dela. Apertou.
'Ai' Ela reclamou
'Você bateu com a cabeça?' Ele perguntou
'Eu não sei' Ela disse baixinho. 'Eu não me lembro' e mordeu o lábio. 'E você é médico, por acaso?'
Ele riu.
'Não, mas minha tia é' E levantou. 'Vem comigo, ela mora aqui perto!'
E ele a ajudou a subir na bicicleta e a levou até lá.


sorriu com a lembrança. Sim, ela fora examinada. Amnésia, com riscos de ser permanente e ela nunca mais se lembrar de onde viera. E ela não se lembrou, nem com os anos que se passaram. Por isso, ela havia ficado por lá, morando com a tia de Harry - sim, esse era seu nome. Fizera um teste de nivelamento e acabara na mesma série que ele. Não demorou muito pra que virassem unha e carne. Ele morava apenas duas quadras da casa da tia, onde ela morava. Então, passavam as tardes juntos, para gosto da mãe e da tia dele. As vezes, ele acabava saindo muito tarde de lá e as vezes ele se deixava atrasar para que a tia o convidasse para passar a noite por lá. Tudo inocentemente, é claro.
Inocente, claro, ele era muito inocente. Sorriu, se lembrando das merdas que ele costumava falar. Eram amigos, total liberdade de se falar merdas. Principalmente no estudo de biologia.

'Ai, que saco' Ela ria de chorar 'me deixa estudar, pára de falar besteira!'
'Mas é sério! A gente podia ir no museu, cara' Ele parecia ofendido por ela ter achado graça 'As múmias sabem anaia como ninguém'
Ela riu mais ainda.
'AS MÚMIAS' ela disse, entre uma risada e outra. Ele acabou por acompanhá-la também, mas logo pararam.
'Ou...' ele sorriu, malicioso. 'Nós podemos estudar um o corpo do outro' e deu uma piscadinha.
Por um ou dois segundos, fez-se silêncio na sala, os livros abertos na mesa mostrando coisas que não deveriam ser mostradas para crianças muito pequenas. Então, o barulho da risada da garota ecoou, seguido de tapinhas que ela dava nele.
Ele havia ficado sem graça e só havia dado um pequeno sorriso, enquanto a garota rolava no chão de tanto rir.


Não passou muito tempo até que as coisas mudaram - um pouco. Um ano e meio, quase dois. Ele tinha quinze, ela estava para fazer. Era outono e, é claro, estava cinza e prestes a chover. Era um dia qualquer. Pras outras pessoas.

'Anda logo, ' Ele rosnou, quase um metro a frente.
'Não, me espera!' Ela gritou 'Harry, eu estou cansada!' E se encostou na parede.
Ele voltou com um furacão, pegando a mochila dela e jogando em cima da sua própria, puxando-a pela mão.
'Vai começar a chover e depois você vai ficar reclamando que seu cabelo está horrível por causa da chuva e blábláblá'
'Nossa, como você resmunga!' Ela reclamou.
Ele riu bufado e continuou a puxá-la enquanto ela reclamava que ele estava muito velho e resmungão. E ele ouviu calado até que a primeira gota caiu em seu nariz. Parou no meio da calçada e cruzou os braços. Estavam em frente à casa dela.
Então a chuva começou a cair mais forte. Ela não entendeu muito bem porque ele estava parado, com os braços cruzados, no meio da calçada com uma chuva daquelas e entendeu menos ainda do porquê ela ainda não havia saido dali, entrado dentro de casa e se livrado da chuva. Já estavam encharcados.
Como um lençol caindo lenta e docemente. E ela só sentia tudo que ela a proporcionada. O leve incomodo quando ela caia sobre ela, escorrendo por seu corpo, seu cabelo grudando em seu rosto, sua alma sendo lavada.
'Eu disse que não ia dar tempo' Ele quebrou o silêncio.
'Teria dado, se você não tivesse parado aí que nem uma estátua' Ela reclamou, mantendo os olhos baixos. Ele riu e ela levantou o olhar pra admirá-lo. Então entendeu porque não havia entrado. Ele devia ser proibido de se molhar em público assim - era um pecado! Sacudiu a cabeça. Ele era seu amigo, não podia-se pensar coisas dessas de amigos.
Mas como se ele estivesse lendo seus pensamentos, não retrucou. Ele sorriu, olhando pra ela.
'Você fica ainda mais linda na chuva' E sorriu, doce como nunca. Ela corou. 'E ainda mais linda corada' Ele deu um passo na direção dela 'Eu não vou mais...' outro passo '...aguentar - me desculpe se você não quiser' E a beijou.
Ela sentiu seus lábios procurando pelos dela, seus braços envolvendo a sua cintura e puxando-a ao encontro do corpo dele.
Passado o minuto de surpresa, ela deixou que suas mãs fossem de encontro aos seus cabelos molhados - que assim estavam, antes mesmo de começar a chuver - de suor, puxando seu rosto mais pra perto, mesmo que isso parecesse impossível, como um pedido silencioso para que ele aprofundasse o beijo.
Não demorou muito para que ele transformasse seu pedido em realidade. E as sensações da chuva se tornavam apenas uma leve névoa devido às novas que eles se proporcionavam. Ela poderia apostar que nem estava chovendo, se não sentisse seus cabelos cada vez mais molhados nas suas mãos.
E, então, tudo pareceu fazer mais sentido. Ela e ele, na chuva, era o que bastava. Não importava o antes e o depois, os carros passando na rua, logo ali do lado. Era apenas o agora que importava, o momento. E o agora era perfeito.
Ele se afastou, levemente, e sorriu ao ouvir a reclamação baixinha dela.
'Acho' ele sorriu 'que você não se zangou' Ela mordeu o lábio e escondeu o rosto na curva do pescoço dele, fazendo ele sorrir mais ainda. 'Eu não quero ser precipitado, mas eu gosto de você pra caramba e... bom... , olha pra mim' Ela se afastou pra encará-lo, mais corada que nunca. '' Ela sorriu, tirando a mão da cintura dela e a acariciando o rosto. Ela fechou os olhos. 'Namora comigo?'
'ISSO!' Eles ouviram duas vozes gritando e pularam pra longe um do outro, olhando em direção a casa. Nesse momento, a mãe e a tia de Harry fingiam estar lendo uma revista de cabeça pra baixo. corou ainda mais, Harry apenas riu.
Ela abaixou a cabeça, envergonhada demais pra olhar pra ele. Ele suspirou, deu os dois passos que a separavam dela. Colocou uma mão em sua cintura, abraçando-a, e a outra levou de encontro ao queixo dela, obrigando-a a encará-lo.
'Você pode dizer não, sabe?' Ele disse, com a voz falha. 'Só não se afasta de mim por isso, tá?' Ela franziu as sobrancelhas, ficou na pontas dos pés e lhe deu um selinho. Ele sorriu quando os lábios deles se encontraram, mas fora rápido demais pra que ele se aproveitasse. 'Isso foi um sim?' Ela corou e escondeu o rosto na curva do pescoço dele. Ele sorriu e a abraçou com mais força.
A chuva não havia cessado, mas eles não se importaram. Ele a pegou pelo queixo, novamente, e a beijou, um pouco mais docemente que da primeira - que era mais urgente.
'A... gente...' Ela tentou dizer, entre beijos 'vai gripar.'
Ele encerrou o beijo, encostando o nariz no dela.
'Eu não me importo, sinceramente. Você se importa?'
Ela negou com a cabeça. Ele sorriu e voltou a beijá-la.


Ela abriu ainda mais o sorriso, quando lembrou que ele tinha se importado depois. Tinham passado uma semana de cama, proibidos de trocar os virus - ou seja, se beijar. E de como ele ficava reclamando sobre a lógica de ter uma namorada e não poder beijá-la com a voz fanha do nariz entupido.
As coisas ficaram sublimes por ali, ela pensou. Harry tinha começado a aprender a tocar bateria e ela sempre assistia feliz e orgulhosa. Eram um casal invejado por toda escola. Por se gostarem de verdade, a maioria estava junto por comodidade ou interesse.

'Vocês estão se cuidando direitinho?'
'Sim, mãe' Ela dizia. Harry apenas ria, abraçando a cintura. Fazia pouco tempo que ela havia começado a chamar a tia dele de mãe, mas ela não se lembrava de ter tido outra.
'O Harry não tá fazendo dengo e comendo só pizza não, está?'
riu e olhou pra mesa de centro onde jazia uma caixa de pizza e alguns restos mortais de mussarela e calabresa.
'Não, mãe, Harry está comendo direitinho' Mentiu. Harry agora ria. 'traidor' ela sussurrou, tampando o telefone.
'Uhm... Vocês já...?'
'NÃO' Harry se assustou com o grito dela, deu de ombros e foi catar as calabresas da pizza.
'Ele está aí?'
'ahan'
'Você já falou com ele?'
'Não'
'Tem que falar, filha'
'Eu vou!'
'Então vai!' A mãe riu
'To indo'
'Tchau' e desligou.
Os pais de ambos haviam viajado pra algum lugar um pouco mais distante pra visitar parentes doentes. Eles tinham inventado uma tal de 'prova de verão' pra ficar em casa - sozinhos. Na verdade, Harry inventara e fizera compactuar com o plano maligno dele. 'Sem parentes chatos, yey!' ele havia dito.
Ela bateu o telefone no gancho e caminhou até ele, sentando-se ao seu lado.
'Vai onde? posso saber?' Ele perguntou, abraçando-a pela cintura, encostando as costas no pé do sofá pra que ela se aconchegasse no peito dele.
'Vou ficar aqui, com você, oras' Ela disse. Ele riu e beijou o topo da cabeça dela, começando a mexer nos cabelos da garota.
Ela tamborilava os dedos na mesa e respirava mais rapidamente, decidindo a hora que deveria falar.
'Você está meio ansiosa, não está?' Ele perguntou, após alguns minutos de silêncio, pegando a mão que tamborilava na mesa. 'Você quer me falar algo?' começou a fazer circulos no carpete com o dedo, assim que conseguiu tirar a mão das dele. ', amor?' Ele chamou. 'Você está me preocupando, sabe?'
'Eu... acho... que talvez...' Ela começou a dizer, corando. 'Sabe, a gente tá junto e... huh...'
'Não faz isso comigo.' Ele disse, sério 'Por favor, eu não sei viver sem você, '
'NÃO! não é isso, desculpa, amor, eu não... eu...só' Corou mais 'acho... queagentepodiapassarprooutronivel' terminou, comendo as letras das palavras.
'Uhm...' Ele franziu as sobrancelhas 'eu não entendi'
Ela corou mais, escondendo o rosto no pescoço dele e sussurrando, baixinho:
'Eu quero dormir com você'
Ele ficou rígido, um momento, então disse, com a voz falha:
'Você... , você tem certeza, amor?' Ela concordou com a cabeça, dando um pequeno beijo no pescoço dele. 'É que... bom, eu nunca fiz isso, sabe?'
Ela se afastou para encará-lo. Ele estava corado.
'Eu... achava que... uhm... aquela garota...' Ela gaguejou.
'Que eu ficava pra te fazer ciumes? no way.'
VOCÊ FICAVA COM ELA PRA ME FAZER CIUMES?' Ela gritou, dando tapas nele.
'Ai! Ai, cacete! Ao menos funcionou! , Pára! Que saco! Isso foi há meio século atrás!'
Ela desvencilhou-se do meio abraço dele e cruzou os braços. Ele riu, afastando o cabelo do pescoço dela e beijando-o, levemente. Ela gemeu, baixinho.
'Não faz dengo' Ele sussurrou, se aproximando do ouvido dela. 'Vamos terminar a nossa conversa...'
'No meu quarto?' Ela sussurrou, de volta.
'Uhm... mais tarde' Ele mordeu o lobulo da orelha dela. 'Eu não tava preparado'
Ela corou.
'Eu estou' virou-se pra ele 'No meu quarto, eu escondi lá'
'Uhm...' Ele murmurou. Passou o braço pelas pernas dela e pelas costas e a suspendeu. 'Vamos terminar nossa conversa lá, então' E sorriu.
Ele subiu com ela beijando-lhe o pescoço docemente. Deitou-a na cama, deitando apenas a parte superior do corpo sobre ela, beijando-a - logo que pode - com as mãos acariciando os seu cabelos. Findou o beijo e a encarou, vendo que ela sorria.
'Sabia que eu ainda fico tonta quando eu olho nos seus olhos?' Ela disse. Ele abriu um sorriso de orelha a orelha e lhe deu um selinho. 'Acho que vai ser assim pra sempre'
'Que bom' Ele falou com os lábios nos dela
Continuaram se beijando, até que a mão dela correu para a barra da blusa dele, levantando vagarosamente. Ele parou de beijá-la, contraindo a barriga e olhando pra ela. Ela ainda mantinha o olhar na blusa, puxando-a até a altura do peitoral do garoto.
'' Ele chamou, puxando-a pelo queixo para olhá-la nos olhos 'Você tem certeza?'
'Mais do que qualquer outra coisa' Ela respondeu. Ele deu um sorriso e um selinho, deixando que a garota terminasse de tirar a sua blusa. Ele voltou a beijá-la, agora com a mão por dentro da blusa dela enquanto ela arranhava suas costas de leve com as unhas.
'Amor' Ele disse, entre beijos 'Pega a camisinha antes que a gente esqueça completamente dela'
Já era manhã quando despertou com o barulho do telefone.
Ela se sentou cuidadosamente, tentando desafroxar o abraço de Harry sem que ele acordasse, passou a mão no rosto e atendeu:
'Alô' Ela disse, sonoleta. Harry resmungou puxando-a pelo braço pra que ela voltasse a se deitar.
'Oi filha! Te acordei? Tá tarde já! Por que você ainda está dormindo?'
'Nhanhaum sono' Ela resmungou.
'Eu liguei pra avisar que você tem que correr com as coisas aí porque nós vamos chegar aí amanhã à noite'
'Ahm... Já foi' Ela respondeu.
'AH! POR ISSO O SONO?' A mãe gritou no fone.
', vem deitar' Harry puxou-a com mais força, obrigando-a a deitar e encostando a cabeça no colo dela.
'Mãe' Ela suspirou 'Não grita, por favor'
'Cadê o Harry?' Ela perguntou
'Tá dormindo' Respondeu, sussurrando.
'Tô nada' Ele disse, um pouco mais alto que ela.
'Durma, filha, depois você me conta as coisas'
'Tá' Desligou, adormecendo logo em seguida.


E o começo do fim dos fatos chegou logo depois de entrarem no último ano do ensino médio. Ele tentou esconder o máximo dela, mas um dia precisou falar.

'Eu estou indo pra Londres no fim de semana' Era quinta-feira. 'Vou tentar uma audição lá'
'VOCÊ O QUÊ?' Ela gritou, exasperada. Se sentou no sofá antes que estivesse tonta demais.
'Vou tentar a sorte na cidade grande' Ele se sentou ao lado dela, pegando sua mão 'Por favor, me apoie. É meu sonho, você sabe'
'E... A gente?' Ela tremia
', calma' Ele a abraçou 'Eu nem sei se vou passar'
'Você vai, Harry, você é bom demais' Ela suspirou, encostando a cabeça do ombro dele 'Como eu vou viver sem você?'
'SE eu passar' Ele falou, mais forte 'Você pode ir me ver quando quiser e quando terminar a escola, você pode passar as férias comigo' Ela choramingou um pouco. 'Eu não vou, se você pedir'
'NÃO!' Ela se soltou do abraço e pegou o rosto dele com as mãos 'Não por mim. Nunca desista dos seus sonhos por mim. Eu não iria me perdoar jamais!'
Ele abaixou a cabeça.
'Você vai me ver, não vai?'


E é claro, ele conseguiu entrar na tal banda. E ela, é claro, foi vê-lo na primeira oportunidade. Faltavam quatro meses pra sua formatura. Harry agarrou-a na rodoviária ainda e eles acabaram transando no estacionamento. E passaram o fim de semana todo sozinhos na casa que ele dividia com os novos amigos. Eles tinham ido passar uns dias na casa das famílias - persuadidos por Harry. Apenas no último dia que ela tivera contato com eles e os adorou. Mas aquele fim de semana havia sido perfeito e havia sido o fim. Não demorou muito mais que um mês pra que ela descobrisse.

'Vomitando de novo, filha?' A mãe chegou à porta do banheiro, preocupada. Viu que estava soluçando. 'Filha?'
'Mãe... Eu tô... grávida, mãe, eu não podia e...'
'Shii...' A mãe a abraçou, limpando a boca dela com a toalha. 'Não é muito conveniente, mas não tem problema. É o Harry, amor, ele vai adorar a idéia, você sabe.'
'Eu vou embora, mãe' Ela soluçou 'Assim que eu terminar a escola'
'Você está maluca, ?' A mãe se exasperou.
'Mãe, eu fui à Londres, as coisas estão dando certo pra ele... Eu não posso... atrapalhar'
'Mas ele fez essa criança também!'
'Eu vou embora e você nunca vai falar nada pra ele!' suspirou pesadamente 'Nada que você diga vai me fazer mudar de idéia'
A mãe suspirou. Sua pequena era cabeça-dura mesmo.
'Pra onde você vai?'
'Pra uma cidade pequena, um pouco longe daqui. Só até a criança nascer e aí eu vou pros Estados Unidos'
'Você pensou bem nisso?' A mãe perguntou. A garota concordou com a cabeça 'E dinheiro?'
'Eu nunca gastei a minha mesada, eu tenho boas economias. Quando eu estiver fora, eu vou saber me virar.'
'Filha...'
'Eu vou embora antes da minha formatura.'


E agora, lá estava ela.
Olhou pro papel mais uma vez, ela tinha realmente que escrever aquela carta.

Capítulo Dois - Sweet Child O' Mine


Capítulo dois
'mããããe!' A pequena menina de cabelos lisos com cachinhos negros nas pontas que ia até a cintura, pele rosada e macia como um algodão-doce de morango e olhos assustadoramente azuis entrou no quarto 'Se o pode levar todos os carros dele, eu quero levar todos os meus ursinhos!'
sorriu, ainda com o papel em braco na frente.
'Não deixei seu irmão levar a coleção toda' Ela suspirou 'É só o bendito volvo prateado e ponto!' Riu. 'E você, só o pingo, certo?'
'Tá' saiu pela porta ' ).toUpperCase()), A MAMÃE DISSE QUE VOCÊ NÃO PODE LEVAR CARRINHO NENHUM!'
riu gostosamente, voltando se pro papel.
Querida ,
Eu estou viajando, não me mate quando voltar e não encontrar bochechas pra apertar. As crianças vieram me perguntar por quê todos os amigos delas têm um pai e eles não. Você sabe como eu sou emotiva, chorei horrores. Então, estou voltando pra Inglaterra.
Volto depois das festas!
Carinhos, pipocas com chocolate e mordidas na bochecha,

'MÃÃÃÃÃÃÃE' apareceu à porta com todo o porte de homem que ele podia ter aos 5 anos de idade. Os cabelos em corte de asa-delta, um pouco mais negros e um pouco mais lisos que o da irmã, mas com o mesmo par de olhos azuis que fazia ser impossível dizer que eles não eram gêmeos 'A disse que não posso levar carrinho nenhum' fez bico. 'E tá enfiando os ursos dela na minha coisa'
'Na sua mala?' A mãe perguntou, sorrindo.
'Naquela coisa assim!' e começou a fazer gestos com as mãos, mostrando uma mala.
'Mala, ' riu. 'Vamos resolver isso, huh?'
Ela se levantou, guardando a carta no bolso. Deu a mão à e o deixou guiar pelo apartamento, em direção ao quarto que ele dividia com a irmã. até se assustou quando entrou nele. Ainda tinha o teto em azul escuro com as estrelas e a lua pintados. O grande armário branco ainda estava lá, com as portas abertas e vazio. As roupas que deviam estar dentro dele, estavam soterrando a cama, os puffes e a comôda da televisão.
Mas a cena que chamava mais atenção, ela a pequena menina pulando em cima de uma mala, obrigando-a a fechar em cima dos quatro braços de pelúcia que estavam pra fora.
parou à porta e fechou a cara, fingindo-se de brava. Pôs a mão em punho na altura da cintura e começou a bater o pé.
' !' Ela chamou.
A menina se asustou, parou de pular e a mala lutou contra o peso dela, estufando e fazendo com que a ela se desiquilibrasse e caisse em cima da pilha de roupas no chão.
A gargalhada gostosa do irmão dela ecoou no aposento. Até a mãe arrisou um sorrisinho, mas logo fechou a cara de novo.
'O que eu disse sobre os ursos, huh?'
'Er...' A menina se enrolou em um casaco do irmão, tentando se levantar 'Só o pingo, né?'
'É, agora me explica o porquê de todos os seus ursos estarem sendo massacrados dentro da mala do seu irmão?'
'Er...'
'Vão colocar os sapatos, os dois' E dois furacões passaram por ela.
riu. Foi até a filha e arrumou a roupa completamente amassada que ela vestia. Tirou os ursos da mala e a fechou. Voltou-se pra grande massa que um dia havia sido uma cama, onde os dois pequenos já estavam sentados esperando que a mãe terminasse de os calçar. Então ela afivelou a sandália de e amarrou os tênis de .
'Hora de descer!' Ela disse.
'Êêêêêêêêêêê' Os dois foram correndo pra porta, deixando ela se enrolar com as duas malas e a mochila. Faltavam quatro minutos pra hora marcada com o táxi.
Desceram e a única dificuldade que ela tivera fora segurar as duas malas enquanto tentava fazer com que os dois ficassem parados e impedir que se cutucassem.

Chegaram no aeroporto de Londres. Ela deu graças por terem dormido no avião e agradeceu horrores à aeromoça por tê-la ajudado à carregar a dupla dinâmica até a saída. Sentou-se nos bancos com os dois no colo, o carrinho com a bagagem ao seu lado.
'O que eu vou fazer agora?' Ela pensou. 'Como eu vou achar o Harry?'
Ela se xingou mentalmente por ter sido impulsiva. Agora ela estava à vontade da sorte numa cidade grande que ela havia visitado poucas vezes.
Bateu com a cabeça no encosto da cadeira. Levantou-se com cuidado e colocou os dois sentados na mesma cadeira, as cabeças dos dois se encontraram, fazendo-a sorrir. Pegou a mochila no carrinho e tirou o celular. Discou.
'Alô'
'Mãe!' Ela quase chorou. Não podiam se falar muito porque as tarifas telefônicas eram absurdas. Tentaram se falar por computador, mas nenhuma das duas tinha grande habilidade com o aparelho.
'? ! amor, como você está? como estão meus netos?'
'Nós estamos... aqui!' Ela respondeu, sem achar outra palavra que encaixasse
'Aqui?'
'Nós estamos de volta, mãe, no aeroporto!'
'AH! EM QUE HOTEL VOCÊS VÃO FICAR? EU ESTOU INDO! AH, MINHA FILHA VOLTOU!'
'Hotel?' Ela parou, como não havia pensado nisso antes? 'Eu esqueci do hotel, mãe'
'Esqueceu?'
'Eu vim no impulso, nem sei o que estou fazendo aqui ainda - , eu já vou - e não marquei hotel.'
'Mããããe' reclamou, acordando.
'Certo, filha, respira Tem um hotel aí perto, é barato, uns dois quarteirões à esquerda, baratinho de táxi. Pergunte ao motorista, ele vai saber. Se hospeda, eu vou chegar aí o mais rápido possível, pela tarde, está bem? Fique calma'
'Tá'
'Te amo, fique bem'
'Também te amo, mãe'
'Mamãe?' chamou assim que ela desligou o celular 'Eu 'tô cansado'
'Eu sei, amor' Suspirou 'Senta aqui no carrinho'
foi se sentar no meio das malas enquanto a mãe pegava sua irmã no colo.

O hotel não era realmente caro, mas era bem confortável. Ela nunca o acharia sem ajuda da mãe. Deixou as crianças adormecidas no quarto do segundo andar e desceu atrás de algo que pudessem comer.
O refeitório do hotel era realmente bom. Escolheu algumas panquecas e pedaços de torta e pediu pra embalar. Quando ela estava na fila para pagar, reparou em uma menina ruiva na sua frente com uma camisa que tinha 'McFLY' e '' escrito no verso. Aquelas duas palavras trouxeram-na uma série de lembranças.

'E vocês já escolheram o nome da banda?' Ela ria, no telefone.
'Já! Sabe de volta para o futuro?'
'Oh, aquela desgraça de filme que você me obrigou a assistir umas trezentas vezes?'
'Não é desgraça, ' Ele reclamou 'A banda vai se chamar McFLY, de Marty McFLY'

'Esse é o , ' Harry a apresentou a um garoto loiro de olhos azuis, muito novo e quase da mesma altura que ela.
' ' Ele galanteou, beijando a mão da garota e levando um tapa de Harry em seguida.


'Com licença' cutucou a garota à sua frente. 'Olá, sem querer ser inconveniente, será que você poderia me dizer como eu falo com o pessoal da banda da sua camiseta... Oh, eu devo ter parecido maluca agora, não?'
A ruiva riu.
'Sem problemas.' Ela sorriu pra 'Vai ter uma tarde de autografos hoje, se é isso que você quer saber. Eu me chamo e você pode ir comigo, se quiser.'
'Seria realmente ótimo, ' riu do jeito da garota. 'E eu me chamo , mas só a minha mãe me chama assim, então acho melhor você me chamar de '
'Certo, qual o teu quarto? eu vou sair daqui por volta de meio-dia e eu bato no seu quarto, pode ser?'
Uhm, okay' viu a garota pagando o seu café e dando a vez pra ela 'tô no 102'
'Legal, tô no 103' Ela fez um legal com as mãos. Trocaram telefones e a garota subiu.
voltou ao quarto e começou a comer uma torta de chocolate de olho no relógio. Eram oito horas, ainda. acordou perto do meio-dia e fez a gentileza de pular na barriga do irmão até que ele acordasse também.
Foi mais ou menos nessa hora que sua mãe chegara. Elas se abraçaram, gritaram, fizeram um escandalo. Mas não demorou muito e já estava de saída.

A fronte da loja de cds estava impossível. Haviam mais meninas gritando que no show dos Backstreet Boys. Como ela iria conseguir falar com Harry assim?
'?' Ela quase berrou 'Eu vou me afastar um pouco. Qualquer coisa, a gente se vê no hotel.'
A garota fez 'okay' com a mão e voltou a berrar.
'Certo. E agora?' Ela olhou em volta e resolveu se entranhar no meio das garotas. Nunca apanhara tanto na vida. Acotoveladas, espetões, tudo de todo o gênero. Mas, por fim, conseguiu chegar até a porta de vidro. Conseguiu ver apenas um par de pés andando de um lado para o outro lá dentro. Bufou frustrada e saiu dali.
Afastou-se um pouco e entrou em um beco que havia ao lado da loja. Logo achou o que queria. Uma entrada de serviço e um rosto conhecido.
'?' Ela chamou.
O garoto olhou para ela. Primeiramente, achou que ela uma fã, mas ela estava quieta demais. Então forçou a memória e logo veio:
'?' Ele se assustou 'O que você...?'
'Eu preciso falar com o Harry, !' Ela andou até ele e choramingou.
'Desculpe, eu acho que ele não vai querer falar com...'
'É sério, , é importante!'
'Depois de você ter fugido com outro...'
'Fugindo com outro?' Ela se assustou 'Eu? Isso que vocês pensaram?'
'Ahn?' Ele parecia confuso 'O que você acha?'
'Você pode me ouvir?' Ela perguntou. Ele olhou para os lados, vendo se podia fugir. Ela meneou a cabeça e procurou pelos olhos dele '?'
'Okay, mas rápido.'
Ele abriu a porta e deixou ela passar. Tinham três seguranças guardando a entrada. a guiou até uma saleta e lhe ofereceu um sofá para que ela sentasse. Ele sentou ao seu lado e esperou.
'Você vai me dizer que eu fui infantil e tola' ela suspirou' Eu fui embora pra não atrapalhar o Harry com a banda.'
'Você foi infantil e tola' concordou.' Por quais motivos você achou que iria atrapalhá-lo?'
'Eu... Estava grávida. Eu tive muito medo, . Eu tinha dezessete e Harry também. Nós não estávamos prontos pra nada disso e eu fui embora pra não atrapalhar o futuro brilhante que eu sabia que ele teria. Bom...' Ela apontou pra de onde se ouviam os gritos' Eu estava certa.'
a encarou, incrédulo.
'O que você tinha na cabeça?' Ele perguntou' A gente teria dado um jeito, a gente teria ajudado e a banda ia crescer da mesma forma!'
'Vocês eram só garotos, ' Ela riu, tristemente, se encolhendo 'Morando juntos e querendo abraçar o mundo inteiro. Eu não seria capaz de acabar com isso.
Ele suspirou e passou um braço pelos ombros dela, puxando-a para um abraço.
'Você foi boba, ' Ele sentiu as lágrimas dela escorrendo 'Você ao menos devia ter falado pra mim ou pra um dos meninos. A gente teria te ajudado, você não precisava tirar...'
'Tirar?' Ela se assustou, se afastando e secando as lágrimas 'O que vocês andaram pensando de mim enquanto eu estive fora?'
corou.
'Não coisas boas, desculpe' Ele confessou 'Harry sofreu muito, nós ficamos realmente zangados. Mas... Se você não tirou...?'
Ela sorriu.
'Gêmeos. Um menino e uma menina. Não sei como aguentei, sinceramente.' abriu um sorriso maior 'Se não fosse a , minha amiga, nossa! Foi surreal.'
Fez-se silêncio.
'Não quero parecer rude, mas...' começou, inseguro 'Por que você voltou, ? Você acha que o Harry 'tá preparado, agora?
Ela mordeu o lábio inferior.
'Eu não pensei nisso' Ela suspirou 'Eu vim porque... As crianças perguntaram dele e ... Ele está pronto?'
riu.
'Você tem que parar de pensar nele e pensar mais em você, ' voltou a abraçá-la.
Eles ouviram a porta batendo.
'Aí está você!' tremeu quando ouviu a voz ''Tava te procurando, ! Mas... O quê...?'
suspirou e virou-se para olhá-lo, ainda à porta. Mais bonito que jamais ela tinha visto.
'Oi Harry.' Ela disse, com muito esforço.
Ele arregalou os olhos pra ela e depois pra , que saiu de fininho.
Assim que a porta se fechou atrás de , ela viu a boca de Harry se escancarar e então não o viu mais, apenas a porta batendo. Suspirou e dobrou os pés no sofá, abraçando as pernas. O que ela faria agora?
'Você vai entrar e conversar com ela!' Ela ouviu dizer, enquanto a porta se abria.
'Mas...'
'Nem mas, nem porém! Vai!'
E a porta se fechou novamente, o silêncio reinando no quarto. Ela não se moveu, não disse nada. Gostava de esperar pelo tempo dele. Encostou a cabeça nos joelhos, impedindo-se de olhar pra ele.
Passaram-se vários minutos que mais pareciam décadas até que ela sentisse o sofá afundando ao seu lado. Permitiu-se levantar a cabeça e olhá-lo. E ele a encarava sem nem ao menos piscar e ela não conseguiu desviar o olhar. Estava absorvida, tonta, como ele sempre a deixava quando a encarava daquela forma.
Ela mordeu o lábio e esperou até que ele falasse algo, a acusasse.
'Oi.' Ele disse, apenas.
Ela corou. Se sentia como uma adolescente, agora. Como ela tinha se sentido no dia seguinte ao primeiro beijo, sem saber como agir.
'Oi.' Ela respondeu, voltando a morder o lábio.
Ele suspirou, desviando o olhar. Ela se jogou contra ao sofá enquanto ele passava as mãos pelo cabelo, nervoso.
'Você voltou' ele sussurrou.
'Voltei' ela concordou.
'Por que?'
Ela suspirou pesadamente.
'É uma longa história...'
'Começa com um bom motivo pra você ter me deixado?' Ele perguntou, com a voz falhando.
Ela sentiu a garganta embargar.
'Não exatamente...'
'Você sabe o quanto eu me arrependi de ter vindo pra Londres? De ter te deixado lá sozinha pra que qualquer outro cara te convencesse que te amava mais que eu?' Ele jogou tudo pra cima dela. Ela já sentia as lágrimas querendo sair novamente 'O quanto eu me senti culpado por não ter te dado qualquer coisa que você precisasse, deixando que outro fizesse isso por mim enquanto eu não estava?
'Não fala isso.' Ela pediu, fechando os olhos, sentindo as lágrimas descendo
'Por que você voltou?' ele perguntou, cruelmente 'Pra me fazer sentir tudo que eu sentia antes?'
'Eu não devia ter vindo.' E se levantou pra ir embora.'
Harry a segurou pelo braço.
'Agora você vai ficar e me contar tudo' Ele a puxou bruscamente, fazendo-a sentar de volta no sofá. 'Pode começar.'
Ela negou com a cabeça, se encolhendo e choramingando. Ele suspirou, pegando o rosto dela com o queixo, fazendo-a encará-lo.
'Por favor.' Ele pediu 'Eu preciso saber onde eu errei.'
Ela negou com a cabeça.
'Por favor.'
'Você não errou' ela soluçou.
'Então o que eu te fiz? Por favor, .'
Ela soluçou quando ouviu ele chamando por ela.
'Eu... Não queria... Atrapalhar você.'
Foi como se ele tivesse levado uma marretada. Ele não esperava.
'Me... Atrapalhar?'
Ela suspirou.
'Eu estava assustada, por favor, não me julgue por isso' Ela pediu 'Eu... estava grávida.'
Ela o viu se desarmar todo. Os ombros e o queixo cairam.
'Grá...vida?'
'Eu não queria jogar isso pra cima de você, não com você no começo da carreira. Era o seu sonho e eu... não podia te atrapalhar. Eu sabia que você ia ser isso tudo, de alguma forma.'
'E você... teve?' Ela confirmou com a cabeça 'Mas...?'
' e , gêmeos. Você pode se gabar o quanto quiser por 'fazer direito' ' Ela riu.
Ele parecia em choque.
'Onde você... esteve?'
'Eu fiquei no país até eles nascerem e me mudei pros Estados Unidos.'
'Eu não sei o que falar.'
Ela fechou os olhos, sentindo eles inundarem-se de novo.
'Eu vou embora.' Ela disse. Abriu a bolsa e tirou um pedaço de papel' O hotel onde eu estou e o telefone, se você quiser. 'Se levantou e deu apenas um passo antes que sentisse o braço dele puxando-a pela segunda vez no dia. Ele estava de pé, puxou-a contra o corpo dele. Um braço rodeu a cintura dela e o outro foi ao rosto, puxando de encontro ao dele.
Ela sentiu as pernas fraquejando, a barriga formigando e envolveu os braços no pescoço dele. Então os lábios se encontraram e ele não demorou pra pedir permissão pra aprofundar o beijo. Ela entreabriu os lábios em resposta e ele apenas faltou fundir os dois no abraço com tamanha voracidade com que ele beijava-a.
Então o beijo findou-se. Ele ainda segurava-a pela cintura de olhos fechados e ela o encarava, esperando uma reação.
Então ele suspirou e saiu da sala, guardando o papel que ela dera no bolso.
Se jogou no sofá, confusa e desnorteada. Ouviu algo tocando e lembrou-se da bolsa, encontrando-a jogada ao chão. Pegou o celular, leu' ' na bina e atendeu.
'Alô'
'
VOCÊ ESTÁ BEM? O QUE ACONTECEU?'

'Eu acabei de falar com ele' Ela suspirou.
'AH, NÃO CHORA!
'Não estou chorando'
'NÃO CHORA, NÃO FICA TRISTE'
'Mas eu estou bem, '
'NÃO ESTÁ, EU SEI'
'Mas eu est-'
'NÃO SE PREOCUPA, , EU TÔ INDO!'
E desligou. Ela ainda ficou algum tempo olhando para o celular sem entender antes de se levantar e sair. Fechou a porta atrás de si e logo ouviu.
'Você está bem?' Aparentemente, ficara esperando por ela.
'Sim, estou. Eu acho, ao menos.'
'Quer que eu te leve no hotel?' Ele perguntou 'Eu tenho quarenta minutos ainda.'
Ela concordou com a cabeça. Sairam em silêncio.

Capítulo Três -


'AMIGAAAAAAA!' entrara correndo no quarto do hotel. Eram três horas da manhã e as crianças tinham acabado de dormir por culpa do fuso horário. Sua mãe voltara pra casa com a promessa de voltar ainda no natal, que se aproximava.
'TÁ LOUCA?' gritou, levantando-se do sofá. 'Você veio que nem uma maluca DA FLÓRIDA! E ainda chega gritando? e acabaram de dormir!'
'Oh!' Ela olhou pra porta que separava o quarto da pequena sala. 'Vou acordar!' Largou as malas de qualquer jeito, no chão, e saiu correndo em direção ao quarto.
' gritou rindo, tarde demais. já estava acordando , fazendo cócegas na barriga do garoto. Sacudiu a cabeça, vendo acordar e pular em cima dos dois. E o telefone tocou.
'Alô!' Ela atendeu.
'Acho que não te acordei, você atendeu rápido'
'Uhm... Fuso horário.'
'Eu imaginei' silêncio 'Você não reconheceu a minha voz, não foi?'
'Acho que seria meio impossível não te reconhecer, Harry' Ela suspirou' O que você faz acordado a essa hora?
'Não consegui dormir. Eu fiquei pensando... Sobre o que você me disse hoje.'
'Uhm...'
'Eu queria almoçar com você hoje... conversar, sabe?'
passara correndo e começou a rodear o sofá, tentando se esconder de , que aparecia na porta do quarto atrás dele, com montada nas costas dela.
'Um momento, Harry' Ela respirou fundo ', PÁRA AGORA DE CORRER ATRÁS DELES, ).toUpperCase()) E ).toUpperCase()) PRA CAMA A-GO-RA!' Viu três bicos quase idênticos 'Sem bicos!' bufou, seguindo pro quarto com as crianças 'Nem em pensamentO, , vem pro meu lado, vem!' E bateu no sofá. Ela emburrou mais ainda e sentou ao lado. esperou a porta do quarto se fechar. 'Pronto, Harry.
'Harry?' perguntou.
Ele ria.
'Tem uma festinha aí?'
'Não, é que a chegou de viagem agora e já' tá aprontando' Ela olhou ameaçadoramente pra amiga, que só deu de ombros. 'Sobre o que você falava?'
'Almoço, eu e você, hoje'
'Almoço hoje?' Ela repetiu, olhando pra , que fez positivo com a mão 'Acho que tudo bem...'
'Uhm... Então, te pego às 11, okay?'
'Okay...'
'?'
'Huh?
'Desculpa por ontem...'
'Está tudo bem, eu esperava pior.'
'Sério mesmo, , eu estou me sentindo culpado'
'Está tudo bem...' silêncio 'Harry?'
'Huh?'
'O quão mal eu te fiz?'
'Você não precisa saber disso. Eu estou bem agora'
'Hum...'
'... Você está... sozinha?'
'Bom, a ainda está aqui do meu lado...'
Ele riu.
'Não assim... Tipo, sem ninguém?'
'Oh, Harry.'
'Desculpe por ontem de novo.' Ele pareceu mais frio.
'Não! Não, eu não tenho ninguém.'
'Oh.' Silêncio novamente 'Nos vemos mais tarde, então?' Ele perguntou, mais alegre.
'Claro!' Ela sorriu. Sentia as borboletas no esago.
'?'

'Oi?'
'Eu te amo' E então ela ouviu o 'tu tu tu' do telefone. Sorriu bobamente.
'?' chamou, sacudindo-a.
'Oi?' Ela perguntou, aérea.
'Tô te chamando há um tempão, sua lesa!'
'Ah... Vamos dormir!'
'Não, me conta!' sacudiu-a.
suspirou e se pôs a contar tudo o que acontecera desde que havia chegado.

Acordou atrasada com gritando alguma coisa sobre 'sorvete', 'chocolate' e 'Crianças'. Era dez e meia e as crianças ainda dormiam. se enrolou, mas conseguiu se aprontar em vinte minutos com seguindo-a, levando apetrechos e, por fim, maqueando-a.
A campainha tocou e ela sentiu o corpo todo tremer de expectativa.
'Atende?' Ela pediu à amiga. 'Eu vou... e , sabe?'
'Ahan...' esperou ela sumir pelo quarto. 'Medrosa' sussurrou. Caminhou até a porta e abriu 'Oi, Harry, né? Eu sempre disse que a tem bom gosto.'
Harry estava de calça preta e blusa branca de manga, sociais, encostado na parede inversa e com os cabelos de quem havia acabado de ar banho. Ele sorriu com o comentário.
'Então, você é a ?' Ele perguntou.
'Sim, Cullen, conhecida como e também como madrinha dos seus filhos.' Ela respondeu.
Harry deixou o sorriso sumir, por um momento.
'E a ?' Ele perguntou.
'Ela já...'
'Estou aqui' apareceu, vestia um vestido simples, até o joelho, com um casaco branco por cima. 'Nada de empanturrar meus filhos de doces, ouviu, ?' perguntou, enquanto saia do quarto.
'Tá... tá!' E fechou a porta, resmungando algo que ninguem pôde entender.
parou, voltando-se para Harry, sem saber o que fazer ou dizer. Ele, com um sorriso de lado no rosto, ficou sem reação tanto quanto ela. Mas passado alguns segundos, ele se fez caminhar em direção a ela, sua mão de encontro à nuca dela, puxando seu rosto para junto do dele, fazendo com que os lábios se encontrassem novamente. Ele sugou, mordiscando levemente, o lábio inferior dela, antes de se afastar e ela não conseguia pensar ou entender o que havia acontecido.
'Você...' Ela suspirou, tentando raciocinar com os olhos dele fixos em seu rosto e a respiração tão próxima aos seus lábios ainda 'facilita tanto as coisas pra mim...'
Ele sorriu.
'Eu tenho que fazer isso' E lhe deu um selinho. 'Sou seu namorado, não?'
'E...E...É?' Ela gaguejou, sentindo que ia perder a sustentação do corpo para a gravidade em breve.
Ele pareceu confuso, um instante, mas logo ela viu os olhos brilharem, marotos.
'Bom, você não terminou comigo antes de ir, terminou?' Ele perguntou 'E eu não pretendo deixar você terminar comigo tão cedo.'
Ela parou, com os olhos arregalados e, segundos depois, jogou seus braços sobre os ombros dele, obrigando-o a segurá-la, caso caisse, encostando a cabeça na curva de seu pescoço e aspirando todo o perfume que conseguia. Ele riu, baixinho, envolvendo-a com os braços com tanta força que ela sentia que as suas costelas podiam quebrar a qualquer segundo. Harry puxou o rosto dela, levemente, para se afastar de seu pescoço e a beijou novamente, dessa vez com mais urgência, deixando as línguas se encontrarem. envolveu-o com mais força, sentindo o corpo mole. Ele encerrou o beijo com três selinhos e se afastou, sem tirar os braços da cintura dela. Encostou seus lábios no pescoço dela e beijou, suavemente.
'...' Chamou, com a voz rouca 'Eu fiz... comida lá em casa.'
'Uhum.' Ela pensou responder, sem conseguir formular nada além disso.
'Não é muito longe...' Ele, agora, só descançava a cabeça no pescoço dela 'E eu não acho muito decente ficar aos beijos com você em um corredor de hotel.'
'Tá.' Ela concordou, ainda sem a capacidade de formar frases reconquistada. Ele a puxou pela mão e a guiou até o elevador.
'Tem câmera, aqui?' Ele perguntou. Ela concordou com a cabeça 'Certo... Dane-se.'
Ele prensou-a contra os limites do elevador, beijando-a com tanta vontade que ambos sentiram-se sem ar em poucos segundos, e foi tempo suficiente pro elevador chegar ao térreo e voltar a subir.
Quase meia hora depois, eles conseguiram se concentrar o suficiente pra sair do elevador e ir em direção ao carro.

'Aqui.' Harry abriu a porta pra ela, sorrindo.
'É uma casa bonita.' Ela sorriu, se concentrando em ver os detalhes. A porta abria direto pra sala - que não estava muito arrumada - muito bem decorada, dois dvd's em cima da mesa de centro, com os sofás rodeando-a em três de seus lados, o quarto dava pra estante com a tv.
Mas ela não pôde se concentrar muito na paisagem. Não depois que sentiu os lábios de Harry em seu pescoço.
'Devagar...' Ela sussurrou
'Mmmm' Ele murmurou, ainda no pescoço dela 'por quê?'
'Eu não quero ter que ir embora outra vez, sabe?'
Ele tossiu, desconfortável.
'Eu tenho uma caixa de camisinhas dessa vez, eu juro. Umas cinqüenta, não acho que vá usar mais que isso.' Ele sorriu de lado, malicioso, fazendo com que ela virasse pra ele. 'O que você acha?' Ele perguntou, encarando-a.
'Eu... er...' Ele se aproximou mais um pouco 'Acho... Huh... ' Ele sorriu. Ela meneou a cabeça 'Melhor... Uhm... A gente só almoçar...'
Ele fechou a cara, mas depois deu uma reisada abafada e um selinho.
'Nem uns beijinhos?' Perguntou, fazendo dengo, beijando-a de novo.
'Uhm... Uns' Ela concordou. Ele sorriu e imprenssou-a contra a parede, fazendo-a quase perder o ar.

'COMO FOI?' pulou nela assim que ela abriu a porta. Eram quase nove horas da noite
'Shiu, cadê meus bebês?' sorriu pra amiga, que estava impaciente.
'Hum... Aquele loirinho com uma cova maravilhosa, , sabe? Ele passou aqui. Ele é da banda do Harry, né?' concordou com a cabeça 'Então, ele achou legal levar eles pra passear pela cidade... Aí eu fui junto e a gente passeou, passeou e passeou e as crianças cansaram e ele 'tá lá no quarto cantando pra eles dormirem e você tinha que ver o quanto isso é fofo.' Ela terminou, puxando o ar, já que tinha lhe faltado folego pela rapidez com que falava 'Agora me conta!'
riu, balançando a cabeça e foi em direção ao quarto, deixando com a boca aberta, indignada.
'Olá, .' Ela sorriu, vendo o garoto abrir a porta antes dela.
Ele corou. Não esperava por ali.
'Er... Oi.' Ele disse.
olhou dele pra e de volta pra ele.
'Ok, que tal nós acertarmos uma coisa que deveria ter acontecido a muito tempo atrás?' perguntou.
'O... Quê?' pertuntou. também parecia confuso.
'Já está mais do que na hora dos padrinhos dos meus filhos terem algum tipo de relacionamento, não é?' Ela sorriu, vendo os dois corarem, e entrou no quarto correndo - sem fazer barulho.

Acordou mais tarde. Havia um bilhete de avisando que ela e haviam descido com as crianças pro café. Uhm... tinha dado certo? Pegou o elevador até o restaurante. Sentou-se na mesa e esperou. Era pros quatro estarem ali.
'Hey' ela ouviu atrás de si. Se virou e sentiu os lábios pressionados contra outro.
'Bom dia.' Ela sorriu 'Faz o que aqui, essa hora?'
'Quero conversar com você de novo' Ele enrolou os dedos na calça.
Mas, ao invés de falar, ele se aproximou pra beijá-la. Parou a milimetros do rosto da mulher.
'MAMÃÃÃÃE' se assustou, se afastou bruscamente, fazendo Harry cambalear, mesmo sentado.
, e vinham, cada um com um sorvete na mão.
'Oi, amor.' Ela ofereceu o colo pra filha, que logo se sentou 'Sorvete no café?'
olhou de relance pra Harry e esse não tirava os olhos da pequena menina com o sorvete.
'Foi a tia e o tio que me deram' Ela acusou.
'Traidora.' murmurou.
'Onde está ?'
apontou pro irmão, que agora vinha correndo em direção a mesa.
'O que eu já disse sobre correr no restaurante, ?' ralhou.
'Eu posso cair em cima de um garçom e ele derrubar bebida alcólica em mim e você ser presa por dar bebida a menores.' E piscou seus olhos azuis inocentemente.
Harry e seguraram o riso devido ao olhar que lançou-os, mas sacudia a cabeça afirmativamente.
'É verdade, e eu vou como cumplice.'
Mas , que não estava nem um pouco interessado em bebidas alcoolicas, logo cortou o assunto.
'Mãe, me dá uma moeda?'
'Pede pra sua madrinha' respondeu, tentando limpar o rosto de .
'Dinda, me dá uma moeda?' Ele puxou a blusa de .
riu, tirando umas dez moedas do bolso e dando pro garoto, que saiu pulando feliz em direção ao videogame - que ele nem alcançava os controles.
'Você mima ele demais' reclamou, deu de ombros. 'Vou com a ao banheiro limpar a caca que você a fez fazer.' E levantou, puxando a menina pela mão.
Fez-se silêncio na mesa, até que quebrou-o.
'Você' tá bem, Harry?' Perguntou.
'Huh?' Ele não prestara atenção. repetiu a pergunta 'É, só estou... eu não esperava.'
' parece assustadoramente com você' disse, aleatória. Harry concordou com a cabeça 'E ele não alcança o video-game' Ela apontou pro garoto, tentando se esticar pra mexer nos controles. 'Aposto que a ia gostar de ver você ajudando-o.'
Harry piscou algumas vezes, mas acabou se levantando.
'Ele precisa ser empurrado as vezes' sorri 'Você é esperta!'
sorriu, convencidamente, vendo Harry sorrindo enquanto levantava na altura dos controles.
'Eu sei, obrigado.' Ela sorriu 'Ele ainda não aceitou muito bem, aceitou?' Perguntou.
balançou a cabeça, como se dissesse 'mais ou menos'.
'Aceitar... Ele aceita' sorriu, triste 'Mas não é tão fácil se acostumar com filhos que soube que tinha ontem.'
'Anteontem' corrigiu.
riu.
'Eu sei que você entendeu.'
voltou com nesse momento.
'Perderam meu filho de novo?' Ela perguntou.
'Seu filho está jogando video-game com o p...' teve a boca tampada por .
'Harry!' continuou
olhou, abrindo um sorriso de orelha-a-orelha. Harry olhou pra ela e em cinco minutos ele estava de volta à mesa.
'Aí tem que chutar a canela do dragão azul porque...' vinha falado, atrás dele 'Não sei, mas tem que chutar.'
Harry sorriu de lado, passou a mão pelo cabelo do pequeno, bagunçando-o.
'Tá bom, depois você me explica mais que eu tenho que conversar com a mamãe, okay?' Harry disse, concordou com a cabeça.
Harry olhou pra , novamente, e ela se levantou sem dizer nada e saiu do restaurante em direção ao saguão. Ela parou perto à porta de vidro da entrada do Hotel, sentindo a mão de Harry em sua cintura. Parou e voltou-se pra ele.
'Então...?' Ela perguntou.
'Uhm... Acho que é melhor deixar pra lá' Ele deu de ombros.
'Agora você fala, né?' Ela sorriu.
Ele olhou pra baixo e se pôs a chutar o nada.
'Eu conversei com a minha mãe sobre...' Ele se cortou e respirou fundo 'Ela disse que eu devia pedir um exame de DNA.'
'DNA?' Ela perguntou, arregalando os olhos 'Você acha que eu...?'
'Eu não acho nada.' Harry cortou-a, sério.
'HARRY!' Ela reclamou, ofendida.
'Não fui eu quem foi embora' Ele reclamou. Ela piscou, absorvendo o que ele tinha dito, corando absurdamente. Harry bufou e passou a mão pelo rosto e pelo cabelo 'Olha, descul...'
'Desculpa, Harry?' Ela choramingou 'Você vai jogar isso pra cima de mim toda vez que estiver frustrado ou irritado? Eu tinha dezessete e estava morrendo de medo de prejudicar VOCÊ!'
'Eu sei, eu sei. Me perdoa!' Ele disse. Ela não respondeu, mas não mostrou sinais de negação. 'Olha, eu olhei pra eles, eu vejo o quanto eles parecem comigo, mas eu queria... só ter certeza. Eu não quero ter uma dúvida pro resto da minha vida, pairando sobre a minha cabeça.'
'Você não quer ter certeza de que eles são seus filhos.' Ela acusou-o 'Você quer ter certeza de que eu não traí você.'
'Eu costumava confiar plenamente em você' Ele suspirou 'Está um pouco difícil agora.' Ela cambaleou.
'Isso... Machuca' Ela sufocou, olhando pra baixo.
'...' Ele chamou. Ela manteve-se de cabeça baixa. Ele pegou o rosto dela pelo queixo e a fez encará-lo 'Me escuta. Eu te amo demais, garota, e eu quero olhar nos seus olhos e ter certeza de que eles me dizem a verdade. Você podia facilitar pra mim, não podia?'
'Eles vão fazer a droga do exame de DNA, se assim deseja' Ela arranhou entredentes, soltando seu rosto e olhando pra longe dele.
'Obrigado' Ele assobiou e se aproximou para beijá-la. Ela deu um passo pra trás. Ele suspirou, pesadamente. '... Por favor?'
'Por favor digo eu, Harry!'
'Olha, você não pode exigir que eu continue confiando em você depois de você sumir por mais de cinco anos!'
'Eu não devia ter voltado' Ela sussurrou.
Dessa vez, ele foi bruto ao puxar o rosto dela pra ele. Forçou-a contra a parede ao lado da porta de vidro e a beijou com força.
'Nunca. Mais. Diga. Isso.' Ele teria gritado se não estivessem em local público. 'Prometa!'
'Tudo bem.' Ela sussurrou.
Ele se aproximou para beijá-la, novamente, mas ela se encolheu, tentando evitar. Percebendo isso, ele apenas lhe dei um beijo de canto de lábio.
'Só quando você quiser' ele sussurrou na orelha dela, antes sair porta a fora.

Capítulo Quatro

'Onde a gente vai, mãe?' perguntou enquanto a mãe o vestia com uma blusa de mangas, depois lhe passando um casaco.
'Vamos ao médico.' A mãe sorriu, olhando pela janela do quarto. Ia nevar. O que ela esperava? Era dezembro!
Ela correu às malas e tirou mais dois casacos, passando pra e foi ajudar a se vestir, com uma quantidade um pouco maior de casacos, já que a menina era mais sensível ao frio.
Deixou-os prontos e assistindo televisão pra que pudesse se arrumar. Vestiu três blusas, duas calças, um cachecol e um casaco. Pegou as luvas e a touca e colocou. Separou as dos filhos pra que eles colocassem apenas na rua, quando não se sentiriam incomodados com elas.
A casa era mais silenciosa sem ali. Ela colocava muita pilha nas crianças. Mas, aparentemente, dindo e dinda estão se dando melhor do que o planejado. saíra à noite e já era manhã bem cedo e não havia chegado.
Sorriu. Que a amiga fosse feliz, era o tipo de cara que ela mereceria.
A campainha tocou.
Ela saiu do quarto, passando em silêncio pelos filhos distraidos à televisão e abriu a porta.
'Oi.' Harry estava ali, encostado na parede do outro lado, sorrindo pra ela com as mãos nos bolsos. Era possível ele ser mais perfeito? Ela estava chateado com ele ainda, não se viam desde que ele pedira o exame de DNA, três dias atrás, foram apenas algumas ligações com clima pesado para que marcasse o exame.
'Olá.' Ela respondeu, encostando a cabeça no batente da porta.
Ele caminhou até ela devagar e aproximou os rostos de maneira que desse tempo pra ela se afastar, se quisesse. Visto que ela não o fez, ele encostou os lábios de leve, se afastando logo em seguida.
'Está pronta?' Ele perguntou. Ela ainda mantinha os olhos fechados, abriu-os ao ouví-lo falar.
'Está muito frio lá fora?' Ela questinou.
'Um pouco abaixo de zero. Por quê?'
' é um pouco sensível demais ao frio.' Ela olhou pra filha, analisando se tinha vestido-a suficientemente quente. Harry acompanhou-a no olhar, mas desviou rapidamente, revirando os olhos.
'Vou adivinhar.' Harry riu, baixinho. Puxou o cachecol da garota 'Garganta.' Ele sorriu sarcasticamente. Ela sorriu, concordando e não percebendo o sarcasmo no de voz dele. 'Dê-lhe um cachecol também.'
'Eu esqueci em casa' sussurrou, como se confessasse um segredo mortal.
Harry suspirou.
'Dê o seu à ela. A gente corre pro meu carro, eu passo em casa e pego um meu pra você.'
'Obrigada. Você é um amor.'
Harry abriu um sorriso enorme e lhe deu um selinho novamente, mais demorado que o primeiro.
'Vamos?' Harry perguntou-a. Ela concordou com a cabeça.
'Crianças? Chega de padrinhos mágicos.' Ela andou até a televisão e desligou.
'AAAAAH' Eles reclamaram.
'Sem 'ah'' Ela riu. Tirou o cachecol em passou pelo pescoço da filha. Apertou-lhe as bochechas e puxou-a pela mão até fora do quarto, arrastando pelo capuz do casaco.
'Mim ser índio, mim não querer médico. Médico ser mau, médico querer vencer o grande índio!'
'Grande índio vai ir ao médico porque grande índio obedece a mãe.' suspirou 'Senão grande índio vai andar pelado na neve e não ver tv.'
'Grande índio só vai ver médico porque grande índio querer.'
'Sei.'
Os quatro desceram pelo elevador, mas à porta do hotel, Harry parou-os.
'Espera aqui.' Ele disse. Pegou com um braço e no outro e carregou-os até o carro, bem em frente ao hotel. Voltou correndo e surpreendeu-o com um beijo. 'Opa.' Ele riu, quando ela encerrou-o. Ela sorriu e fez que ia pro carro. 'Falei pra você esperar' Ele repreendeu-a.
'Mas...'
'Quero falar com você, oras.'
'Então fala, ué.' Ela deu de ombros. Ele riu e a puxou pela cintura.
'Não estou gostando de imaginar o tanto que você está gastando na diária desse hotel.'
'Hum...' Ela murmurou, perdida no olhar dele.
''Tava pensando em você passar esses dias lá em casa, tem espaço.' Ele mordeu os lábios e encostou a cabeça no ombro dela 'Sinto falta da sua de ter você perto de mim.'
Ela estremeceu.
'Eu não sei, Haz' Escondeu o rosto na curva do pescoço dele e suspirou.
'Por favor...'
'Eu... Posso pensar?'
Ele se afastou e lhe deu um selinho, sorrindo.
'Claro.' E fez que ia abraçá-la de novo, mas ela parou-o.
'Er... As crianças estão sozinhas no seu carro, sabe?'
'Ah!' Ele pareceu meio surpreso e meio despreocupado. Sorriu e abraçou-a, passando o casaco por cima dela.
'Obrigada.
Harry praticamente arrastou-a até o carro.
''Tá tudo bem aí atrás?' perguntou, assim que entrou no carro. Harry entrou em seguida, diminuindo o aquecedor e dando partida no carro.
' me bateu.' acusou.
' me bateu também' reclamou.
'Porque você me bateu primeiro.'
' , bata na ' disse, suspirando. Harry a olhou, estranhando.
'MAS MÃ...' ia dizendo, mas foi calada pelo tapa do irmão, seguido da risadinha.
'Agora, , bata no .'
'QUÊ?' disse e logo emburrou com o tapa que a irmã lhe deu.
'Pronto, nem precisam brigar agora.' Ela disse.
'Mas...' Eles começaram a reclamar.
Harry riu.
'Você lembra a minha mãe.' Ele sorriu.
e estavam sentados de costas um pro outro.
'Vai devagar.' Ela pediu. 'Eles estão sem cadeirinha.' Harry concordou com a cabeça e reduziu a velocidade. Ela encostou a cabeça no banco e ficou olhando ele dirigir. 'Você fica tão lindo sério.' Ela sorriu.
Ele olhou pra ela de rabo de olho e deu um sorriso torto. Parou em um semáforo e aproveitou pra colocar uma das mãos na coxa dela.
'Obrigado.' Ele olhou pra ela e quase corou.
'Você não vai achar nada com tanta roupa aí' Ela sussurrou. Ele riu e voltou a colocar a mão no volante. Estacionou e saiu.
'Mãe?' chamou. olhou pra trás e sorriu ao ver que os dois pareciam de bem de novo. 'Você e o tio são namorados?'
riu.
'É, somos.'
'Ele vai ser nosso papai?' inquiriu.
Ela puxou um bocado de ar e parou pra pensar no que dizer.
'Olha!' Ela exclamou 'Harry está vindo!'
Nesse momento, ele ainda subia as escadas da entrada da casa.
'Mããe?'
'Eu não sei' Ela sussurrou, assustada.
'Ele não gosta de mim' disse, como uma confissão.
'Não seja boba, amor.'
'Mas eu acho' Ela fez bico.
'Eu acho ele legal.' sorriu, feliz 'Eu ia gostar dele ser meu papai. Mas não gosto dele ser seu namorado' Emburrou pra mãe.
riu. Quando Harry voltou ao carro, ela ainda ria.
'Qual dos risos?' Ele perguntou, jogando o cachecol para ela
'Nada não.' Ela deu mais algumas risadinhas e se controlou, colocando o apetrecho em volta do pescoço e sentindo o perfume forte dele ainda fixado. Harry sacolejou a cabeça e dirigiu em silêncio até o laboratório.
Ao entrar no laboratório e ter visto o tamanho da agulha, ele começou a fazer a dança da chuva e voltar pela porta. No meio da pequena confusão, Harry fugiu pro banheiro e só voltou dez minutos depois, quando todos já tinham tirado sangue, só porque a enfermeira foi buscá-lo.
'Não posso dirigir.' Harry saiu embicado do laboratório.
'Lembrando que a idéia foi sua' riu da cara que ele fez.
'Nem ganhei um pirulito' Apontou pras crianças, que deram língua pra ele. 'Não posso dirigir' Ele continuou reclamando.
'Eu não tenho carteira pro outro lado do carro, desculpe' riu. Chegaram à porta do laboratório, estava nevando 'E agora?'
'NEEEEEEVE!' e gritaram juntos, jogando os pirulitos no chão e correndo pra fora do laboratório.
'Ai, droga.' saiu à porta, com a mão na cabeça, vendo os dois rolando na neve.
Harry a abraçou por trás e começou a sussurrar em seu ouvido:
'Lá em casa tem um aquecedor super potente, um jardim nos fundos ótimo pra se fazer bonecos de neve, um estoque de chocolate chocolate quente e' Ele mordiscou a orelha dela 'Eu tenho certeza de que você vai adorar o edredom da minha cama.'
'Harry...' Ela se virou pra ele.
'É sério, .' Ele suspirou, fixando o olhar no dela 'Se eu pedir de aniversário, você não vai poder negar.'
'É amanhã' Ela sussurrou.
'Eu sei.' Ele riu.
'Então eu tenho até amanhã pra decidir?'
'Não' Ele tentou dar-lhe um beijo no pescoço, atrapalhado com o cachecol 'Eu tenho direito de acordar no dia do meu aniversário do lado da mulher que eu amo.' Ela corou, envergonhada. Harry apenas riu 'Você consegue ficar mais linda ainda no frio.' E suspirou.
se desvencilhou do abraço, virando de costas para que pudesse ver os filhos travando uma guerra de bolas de neve.
'Eles me perguntaram se você ia ser o pai deles' Ela confessou.
'E você?' Ele inquiriu.
'Eu disse que não sabia.' Sussurrou. Harry suspirou pesadamente com a resposta dela ' acha que você não gosta dela' Ela sorriu, vendo-os ' te acha legal, mas não gosta do fato de sermos "namorados"' Os dois riram baixinho 'Eu estou assustada' Confessou.
Harry abraçou-a novamente.
'Eu quero muito essa família, . Eu teria inveja, se não fosse eu.' Ele sussurrou 'Mas é complicado, tudo tão recente.' Ele pareceu sofrido
'Entendo seu lado' Ela sorriu.
'Acho que vai ser mais fácil pra mim se...' Ele parou, pensando em como dizer sem soar chantagem ou algo parecido '... vocês estivessem ao meu alcance sempre que eu pudesse. Eu tenho pouco tempo livre e eu passo boa parte dele em casa, descansando.'
Ela sorriu.
'Tudo bem. Eu me rendo.'
Harry riu alto e a abraçou mais apertando, girando-a no ar.
'Obrigado' Ele a soltou e a puxou pela mão, indo em direção ao centro da guerra das bolas de neve.
Recolheram as crianças e partiram para o hotel. Chegaram no quarto e quase cairam pra trás quando viram e lá, assistindo TV.
'DINDA! DINDO!' e correram pra eles e fizeram um montinho. parou entre o corredor e a sala, admirando-os com um sorriso. Harry parou do lado dela e pôs a mão em seu ombro.
'Esquecemos dela, ops' disse.
'Relaxa, ela pode ir lá pra casa' Ele riu 'Mas acho que o vai querer que ela vá pra casa dele.'
'E eu acho que a vai achar melhor ir pra sua...'
'Nossa...' Ele cortou-a.
'... Casa.' Ela arregalou os olhos pra ele. Ele riu. Ela pigarreou ', a gente vai pra casa do Harry.'
'Vamos?' Ela pareceu assustada.
'Legal, mais perto da minha casa' abriu um sorriso enorme.
encarou com o questionamento escancarado na face. A outra só deu de ombros.
'Eu vou pegar as coisas espalhadas, er...' desvencilhou-se de Harry e lhe deu um selinho. 'Já volto'
'Senta aí, cara' apontou pro sofá do lado dele. Harry se espreguiçou e sentou. 'Então...' olhou pra e , vendo-os sair em direção à voz da mãe, que os chamava. 'O que deu em você?'
'Oi?' Ele fez-se de desentendido.
'Chamá-la pra sua casa?' parecia estar dando-lhe uma bronca. 'A gente 'tá fazendo de tudo pra ela não sair na mídia e...'
'Estão?' perguntou.
'É, tem sete seguranças lá na porta do hotel, se você não reparou' emburrou. 'E você quer destruir tudo!'
'...' Harry começou. 'Sério, cara, me deixa.'
'Você 'tá fazendo burrada de novo' cutucou-o.
'Porra, ' Ele quase gritou. 'Você não entendeu? Dane-se a mídia! Eu quero ela comigo e pronto.'
levantou os braços, se jogando pra trás, como rendimento.
'Só acho que você não está pensando no incomodo que pode ser pra ela e pros SEUS filhos se a mídia descobrir'
Harry fez um gesto, como se não se importasse.
'Harry...' chamou-o. 'Olha, eu nem tenho falado tanto com você e acho que você pode me achar intrometida, mas...' Ela respirou fundo. 'Só eu sei como essas crianças foram criadas aqui. E eu sei que você conhece a tão bem ou melhor que eu. Eu não tenho idéia do mal que a mídia pode fazer, mas o parece bem... Ahn... Inseguro quanto à ela, mas eu preferia, sinceramente, que você conseguisse manter os três longe disso o máximo que puder'
Ele pareceu considerar isso.
'Eu acho que eu posso fazer isso melhor lá em casa' Ele estufou-se.
'Na sua casa? No seu aniversário?' riu, ironico.
Harry lhe lançou um olhar malvado.
'), VOCÊ NÃO VAI PEGAR SUAS COISAS?' gritou do quarto.
'EU NEM TIREI DA MALA' gritou de volta.
'UÉ, O QUE É ISSO EM CIMA DA CAMA ENTÃO? IIIH, É UMA CUECA'
e coraram enquanto Harry ria da cara deles.
'Amor' sussurrou 'Você está sem cueca?'
'Er...' corou mais ainda. 'Pra pegar um ar'
Harry caiu do sofá de tanto que gargalhava.
chegou na porta do quarto, se apoiando no batente.
'VOCÊ TÁ RINDO?' Ela sufocou, gritando pra Harry 'Vem cá ver essa cueca, só' E quase caiu de tanto que ria.
Harry se levantou pra ir ao quarto, mas correu na frente e escondeu a cueca dentro das calças.
'Acabou o circo' Ele disse, sentando na cama.
'Diiindo' apareceu do banheiro da suíte com a escova de dentes na boca 'Depois diz pra mamãe onde você comprou a cueca do pintinho amarelinho que eu quero uma pra mim também?'
Harry estourou em risadas e corou mais ainda.
'Er... Eu falo' Ele disse.
'Beleza' E ele voltou ao banheiro.
'Certo' ainda estava vermelho. 'Você quer que a gente vá fechando a conta, ?'
Ela fez sinal positivo com a mão e continuou a guardar os cabides na mala.
saiu de fininho com em seu encalce. e voltaram para a Tv, na sala, enquanto terminava as malas. Harry sentou na cama, vendo-a.
'Posso ver isso todo dia?' Harry perguntou.
Ela olhou pra ele, vendo que ele encarava-a e corou, colocando o cabelo atrás da orelha.
'Você me deixa envergonhada'.
Ele apoiou-se na mala, segurou seu rosto e encarou-a nos olhos.
'E eu ainda te deixou tonta?'
'Sempre' Ela respondeu, entorpecida.
'Ótimo' Ele se levantou e lhe deu um selinho. 'Você demora?'
'Você carrega as malas?' Ela riu, fechando a última.
'Você abusa de mim' Ele riu, pegando as duas malas, enquanto ela pegava mais uma mochila.

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